O caixão preto e fechado no meio da sala feita de uma madeira podre que não deveria aguentar por muito tempo. Aquele lugar não combinava com as duas duas moças sentada na cadeira, vestidas com um vestido preto. Sther de óculos preto gigante tentava beber um café servido pela emprega sem tira-los e revelar que ela era única que não estava chorando. As outras pessoas, algumas de pé e outras sentadas, parecia se comover muito pelo senhor naquele caixão. Mas as Gabrielly e sua irmã sequer lembravam do nome do homem no caixão. Não sabiam nem como era o rosto dele.
A chuva continuava forte quando alguém abre a porta. Era um rapaz pequeno e com um telefone celular as mãos e todo molhado. Ele era moreno e baixo. E tinha um olhar preocupado no rosto. Ao abrir a porta ele apenas fala desesperado.
- Tem algum telefone por aqui? - Ele pareceu nem ver o caixão. A empregada que serviu o cafézinho se aproxima do rapaz.
- Me desculpe rapaz. Mas estamos no meio de um velório.
- Eu sei. Eu sou Wellington Silva. Vim pelo enterro dona. Mas é que deixei minha mulher e minhas duas filhas em casa. E não consigo falar com elas.
- Venha. Eu vou te mostrar o telefone. - Diz a senhora com voz baixa, como se quisesse demonstrar a Wellington como deveria falar naquele ambiente. - Mas não sei se vai ter sinal. Quando dá esse chuva. Nada nessa casa funciona.
A empregada leva o rapaz para cima. Gabrielly e Sther correm atrás subindo as escadas que rangiam como se fosse uma pessoa reclamando de dor. Ao subir nas escadas que davam para um corredor, a empregada se vira para as duas.
- Poderiam ficar lá em baixo. Está meio bagunçado.
- Ele é nosso irmão. - Diz Gabrielly sorrindo.
Wellignton olha para as duas triste e de cabeça baixa.
- Bem. - Diz a empregada com cara de repreensão. - Aqui está o telefone. - Diz ela pegando num compartimento da parede um telefone pré-histórico. - Depois do telefonema voltem lá para baixo. Por favor.
Os três irmãos ficam um de frente ao outro mudos. Até que Wellington com um sorriso envergonhado pergunta a Gabrielly.
- E ai Gabrielly. Como vai os filhos.
- Eu não tenho filhos Wellington. - Diz ela nervosa.
- A é. Desculpe. É você que teve filhos. Não é Sther?
- Não. Também não foi eu. Como vou ter filho. Viajo de um lado a outro sem parar. Quem teve filho foi a prima Veronica.
- A é verdade. - Diz ele pegando o telefone e colocando no ouvido. Gabrielly chega abrindo um pequeno sorriso.
- Então são duas meninas?
- Sim. Meus amores. - Diz ele orgulhoso. Até que Sther abrindo também um sorriso fala:
- E ai? Que triste né. Morrer assim né?
- Pois é. - Diz ele tentando discar, mas não dando linha.
Gabrielly com medo arrisca.
- Ele tava tão cheio de saúde né.
Wellington estranhando desliga o telefone e fala:
- Mas na carta o tio não falou que sabia que ia morrer. Como ele devia estar cheio de saúde Gabrielly.
- Tá bem Wellington. Agente não lembra quem é o defunto. Você lembra que tio é esse?
- Eu não. Eu não me lembro é de tio nenhum. Mamãe e papai sempre foram muito reservado com o resto da nossa família.
- Meu Deus. Será que enviou essa carta por engano para agente? - Pergunta Sther já com raiva.
- É logico que não Sther. - Diz Gabrielly também nervosa. - Eu estava nos Nova York. Você em Pariz. E o Wellington no Rio de Janeiro. Como que essas cartas iam ser entregues por engano para todos nos por engano.
- Pode ter sido um grande engano. - diz Welligton desistindo e colocando o telefone no gancho. - Vamos esperar o Teobaldo chegar. Sem duvida ele vai saber de algo.
- Ele é o mais novo. Se nos não lembramos você acha que ele vai lembrar.
De repente a porta se abre de repente e um grito de desespero ecoa pela sala. Os três irmãos correm para ver o que era. Era Teobaldo de terno e abrindo o choro e abraçando o caixão fechado.
- Titio!!! Porque você tinha que partir!!! Porque!!! Não pode ser verdade!!! Eu me recuso a acreditar!!! Não!!!!
Pelo jeito Teobaldo sabia quem era o tio misterioso.
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