sábado, 17 de julho de 2010

Um velorio sem nome da rua Paz do Céu.

        As rodas do carro negro lutavam contra a lama na pequena estrada de Paz do céu. O nome era indicado por uma placa velho que residia exatamente no meio da estrada. Isso quer dizer que qualquer carro teria que andar muito até saber que estava perdido ou que estava na estrada certa. E quando chovia isso dificultava muito mais. Ainda mais que a estrada era contornada por uma floresta escura e sombria e as crateras na estrada lamassenta dava para engolir carros por inteiro. O carro negro para diante da placa velha, em meio a chuvarada noturna que caia. O vidro negro desse mostrando uma linda mulher de pele negra e cabelos castanhos curtos e lisos. Ela com uma pequena lanterna ilumina a placa e fecha o vidro novamente se protegendo da chuva. A mulher resmunga algo quem parece que nem ela própria entende coloca a lanterna na boca carnuda e pega a bolsa no banco de trás do carro. Uma bolsa pequena. De lá retira um mapa que era desdobrado em varios tamanhos. E iluminando com a lanterna o mapa e seguindo com os dedos cobertos por uma luva fina que ia até os pulsos ela encontra o nome pequeno e embaçado. Paz do céu. Ela segue a estrada que pelo mapa ainda tinha muito o que percorrer até chegar em um ponto da estrada que era marcado por uma bola desenhada de caneta. Era ali que ela deveria chegar.  A mulher coloca o mapa de novo na bolsa e segura o volante do carro novamente voltando a lutar contra a chuva, o escuro e o barro.
     Logo uma porteira em um local onde era marcado pelo mapa. A mulher ilumina com o farol do carro além da porteira. Um casebre e vários carros na frente. Ela já extressada buzina o carro varias vezes. Até que de dentro do barracão surge um vulto com o guarda-chuva. Logo o vulto vai se aproximando da luz. Era um moço com um jaleco. Negro, baixo, e com os olhos escuros. Ele abre a porteira deixando com que a moça atravesse. Ela para diante do rapaz e com uma voz muito doce para quem estava nervosa fala:
    - Esse endereço é aqui? - O sujeito se aproxima tremendo de frio e  fala:
    - A senhora é a dona Gabrielly Silva? 
    - Sim. 
    - É aqui sim. Pode estacionar do lado da camionete do seu Lucas. 
    Gabrielly tenta encontrar a tal camionete do lado do barraco velho. E não se surpreende em saber que era bem longe da entrada. Ela estaciona do lado da camionete e espera o rapaz voltar com o guarda-chuva. Ele espera na entrada por alguns segundos até que percebe o que Gabrielly queria. Ele assustado corre até ela. E a cobre com o guarda-chuva.
    - Me desculpe dona. - Ao entrar  a visão chocante do caixão fechado no meio da sala era de arrepiar. Varias pessoas vestidas de negro. Gabrielly sacode seu vestido como se isso ajudasse a secar seu vestido negro, ou sua bota de marca. Ela olha em volta a procura de um conhecido e aliviada avista alguém conhecido sim sentado numa cadeira do lado de outra vazia com um pratinho de pão de queijo na mão. Era tudo que Gabrielly tinha pedido a Deus. Ela atravessa o caixão e senta do lado da bela moça de pele clara e cabelos escuros e curtos. 
  - E ai? Quem é ele? - Pergunta Gabrielly pegando um pão de queijo e enfiando por inteiro na boca. 
  A outra garota olha com cara de nervosa para Gabrielly e fala nervosa:
  - Depois de dez anos sem me ver é isso que você fala? - Gabrielly olha para baixo triste. Mas a outra garota continua mais calma e arrependida de ter falado daquele jeito. - Não fasso a mínima ideia. Disse na carta que era meu tio.
  - Na carta que enviou a mim disse a mesma coisa Sther. 
  - Mas é lógico que disse a mesma coisa Gabrielly. Se ele é meu tio é lógico que também é seu tio. Somos irmãs. Ou se esqueceu disso.
  - Não me esqueci não. Só me esqueci que tio é esse que mora num lugar que se chama Paz do céu. 
  - O lugar se chama Montanhas Verdejantes. A rua se chama Paz do céu.
  Gabrielly pega mais um pão de queijo do pratinho. E olha em volta a procura de alguma foto do morto. Sther lhe chama a atenção novamente.
  - Será que o Wellington e o Teobaldo também vão vir.
  - Mas é lógico que vão. Se esse rapaz era nosso tio, também era dos dois. Nós somos todos irmãos. 
  As duas abaixam a cabeça envergonhadas. Gabrielly limpa as mãos esfregando uma na outra e pega sua bolsa que já estava pendurada na cadeira e de lá tira um papel dobrado em vários pedaços e mostra a irmã. 
  - Está aqui  a carta. Apareceu ontem.
  Sther pega a carta e lê.
  
"Querida sobrinha. 
      Sei que nunca participei muito da vida de você e seus irmãos. Resta-me pouco tempo de vida e uma grande herança para doar. Venham nesse endereço que está aqui em baixo. Tenho certeza que iram gostar do presente que tenho pra vocês."


Sther entrega o bilhete a irmã novamente. E olhando para baixo envergonhada fala: 
- É o mesmo enviado para mim. Eu não sei nem o nome dele.
- Eu também não. Estou com medo de perguntar para alguém. Vai que nós expulsem daqui? 
- Não é nem pelo dinheiro. - Diz Sther agoniada. 
- Eu sei. É por ter um tio que lembrou da gente na hora da morte...
- E nos nem lembrarmos do nome dele.
- Vamos esperar o Teobaldo e o Wellington. Talvez eles se lembrem. 

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